quinta-feira, 29 de agosto de 2013

HICSOS: THRASH METAL COM AGRESSIVIDADE, FORÇA E EXPERIÊNCIA




































O Over Metal teve a oportunidade de entrevistar a banda Hicsos numa conversa on line com Marcelo Ledd, Avito e Rossato.
Confira mais uma ótima entrevista com uma importante banda do Metal Nacional.

Hicsos é:
Marco Anvito ( Bass & Vocal ),
Antônio Sabba ( Guitar ),
Celso Rossatto ( Guitar ),
Marcelo Ledd ( Drums )

Filipe Lima (F.L.) - Obrigado por atender ao Over Metal.
Bom, duas décadas na estrada, o que foi extremamente difícil superar e o que foi/é extremamente prazeroso para o Hicsos?
Marcelo Ledd: Sempre tem coisas bem difíceis durante tanto tempo na estrada, como o lado financeiro, por exemplo, mas também o respeito dos produtores que acham que sua banda tem que ir tocar por amor e eles ganharem dinheiro com isso. Mas o que é extremamente prazeroso é subir em um palco e travar contato com os fãs, poder tocar em vários lugares, poder gravar nossa musica, isso é muito prazeroso pra mim.
Anvito: Difícil é fazer Heavy Metal no Brasil. Você tem que trabalhar dividir seu tempo com a banda e lutar por um sonho. Prazer sempre é levar nosso som pra todos os lugares, ouvir elogios e reconhecimento do público, estar em cima do palco e principalmente estar com os amigos de tantos anos no Hicsos fazendo muito barulho.
 
F.L. - A mistura Thrash/Hardcore mostra que flui muito do que vocês escutam e curtem. Quais são as grandes bandas/álbuns que foram e são referências e influência no trampo do Hicsos ao longo dessas duas décadas?
Marcelo Ledd: Na minha parte o que me influência esta dentro desse contexto do metal e hardcore, como Anthrax, Agnostic Front, Ratos de Porão, Venom, mas também tem Led Zeppelin, The Who, Black Sabbath, Rock Progressivo da década de 1970 e outras coisas brasileiras que nem tem nada a ver com rock. Álbuns como Among the Living e Brasil freqüentam meu toca disco até hoje com constancia.
Anvito: Minhas influências são: Iron Maiden, Slayer, Anthrax, Exodus, Testament e também curto as coisas mais tradicionais como: Led Zeppelin, Deep Purple, Black Sabbath e etc... Acho que no Hicsos procuramos sempre lapidar as músicas dentro do estúdio com todos juntos. Um traz o esqueleto e depois cada um coloca sua idéia, assim temos esse resultado que me agrada muito.

F.L. - Hicsos faz parte de um grupo pequeno de bandas com origem no Rio de Janeiro que tem mais de 20 anos de atividade na cena underground, ao que se deve isso?
Marcelo Ledd: Acho que as oportunidades não surgiram como se esperava na década de 90 e ficou esse hiato na cena carioca, a maioria das bandas que começaram junto com o Hicsos acabou no meio da década de 1990 e alguns voltaram recentemente nos anos 2000, mas o Hicso sempre acreditou na própria musica e mesmo trocando de integrantes diversas vezes se manteve na estrada aproveitando todas as oportunidades que surgiam o tesão de fazer esse som vai nos levar tocando até estarmos mortos.
Anvito: Acho que nós gostamos demais do que fazemos e conseguimos de uma maneira ou outra separar os problemas externos da vontade de fazer Metal. A amizade dos integrantes também conta muito. E acima de tudo temos muito tesão em fazer isso tudo. Acredito que só vamos parar quando o corpo não nos deixar mais fazer.

F.L. - Como surgiu e se concretizou o contrato com a Laser Company?
Marcelo Ledd: Mandamos nosso material pra eles há algum tempo, eles já conheciam a banda através do álbum anterior e depois de algumas conversas, fechamos o contrato.
Rossatto: Cheguei ao final das conversações com a "Laser Company", mas deu para vivenciar toda a seriedade e profissionalismo que é fazer parte de algo "maior". Eu já tive a oportunidade de vivenciar essas coisas quando trabalhei com o baterista Garry King, (Joe Lyn Turner e Achillea), e comparando tudo o que presenciei, vejo que a "Laser Company" viu e sentiu essa seriedade e profissionalismo na música do Hicsos e nos integrantes, principalmente na sua vontade de querer fazer as coisas acontecerem. Como diz o ditado: "Sorte é estar preparado quando a oportunidade chegar." (B. Disraeli)


F.L. - Fale do processo de gravação do novo álbum ”Circle Of Violence“!
Marcelo Ledd: Nós utilizamos o HCS Estúdio no Rio de Janeiro para gravar toda a parte instrumental, batera guitarras, baixo, etc. Depois fomos para São Paulo e concluímos o trabalho com a produção do Marcelo Pompeu e do Heros Trench no Mr. Som Studio.

F.L. - Para a realização do Circle of Violence como se desenrolou o processo de composição das músicas?
Marcelo Ledd: Ainda com o Nilmon nós compusemos todo o álbum e as letras são muito divididas, cada um escreve sobre seus temas preferidos, isso dá uma diversidade lírica à banda. Eu gosto muito de escrever sobre política e coisas do cotidiano urbano.
Anvito: Foi muito intenso esse processo de composição, o Nilmon gravava algumas coisas em casa e mandava por e-mail, daí ouvíamos e tentávamos fazer algo cada um na sua casa. Quando chegava ao estúdio começava a lapidação por todos. Teve 2 músicas bem curiosas que foram Destruction e Burn in Hell. Essas o Nilmon mandou pra mim o esqueleto delas e na hora eu curti demais o jeito que estavam, sentei na frente do computador escutando a musica e fiz as letras das duas, gravei um teste com voz e mandei de volta pra todos. Todos gostaram e elas tiveram pequenas mudanças na forma original. As outras músicas foram composições que eu, Antônio e Marcelo já tínhamos em mente e colocamos para todos darem suas opiniões. Foi muito prazeroso todo processo de gravação.

F.L. - O Metal sempre nos presenteou com grandes mestres, mas alguns já estão velhos, outros enfrentando problemas com saúde e infelizmente alguns nos deixando como Jeff Hanneman. Quais são os grandes ícones e mestres respeitados por vocês? Explique o por quê?
Marcelo Ledd: Isso é muito estranho, não só na musica, mas na vida, porque quanto mais velho você vai ficando parece que as pessoas vão morrendo ao seu redor. Isso também acontece com os ídolos da musica, por exemplo o Lemmy, porra o cara esta velho e doente, acredito que nem vai demorar muito para ele enfrentar a morte infelizmente. Teve o Dio, que foi uma perda sinistra. O próprio Hanneman. Quando éramos jovens isso nem passava pela nossa cabeça que pudesse acontecer. Porém estamos falando de musica e esses caras mesmo depois de mortos continuarão vivos pelo trabalho que ficar eu respeito muito os meus ídolos como Jimmy Page que faz muita coisa fora da musica, o próprio Lemmy que viveu sua carreira de forma honesta e simples. Mas é triste saber que daqui a pouco bandas como Judas, Iron, Saxon, Motorhead, Slayer, Anthrax, entre outras vão parar as atividades. Veja os caras do Blues, que foi onde tudo começou, praticamente não tem mais nenhum desbravador do estilo vivo, e os pais do rock também já estão no final, como o Chuck Berry que já não tem mais o mesmo pique no shows, o legal disso é que a idade do público esta aumentando junto com a idade dos músicos, quando eu era bem jovem ,meu avô nunca ouviria um som, mas hoje já tem gente na faixa dos 70 anos que curte som desde novo, isso é foda.
Anvito: Infelizmente isso faz parte da vida, nascemos, crescemos, envelhecemos e morremos. Sentimos muito quando é uma pessoa querida ou um ídolo. Fiquei triste demais com a morte do Dio, era um dos melhores vocalistas do mundo em minha opinião. Sou um dos poucos que gosta mais do Black Sabbath com Dio do que com Ozzy, mas gosto e respeito demais o Ozzy. Há pouco tempo perdemos o Jeff Hanneman, isso foi pra mim uma perda muito triste também, afinal Slayer é uma das minhas bandas favoritas e marcaram muito minha adolescência. O Iron Maiden, por exemplo, a galera está velhinha, mas cheio de disposição no palco, admiro isso, fazem um show energético até hoje.

F.L. - Citem álbuns considerados marcantes na história do metal
Marcelo Ledd: Pra mim, Among the Living (Anthrax), todos os discos do Led Zeppelin, Persistence of Time (Anthrax), Brasil e Cada dia Mais Sujo e Agressivo (RDP), Mass Illusion e Ties of Blood (Korzus), Arise e Chaos AD (Sepultura), The Number of the Beast (Iron), Angel Wicth (Angel wicth),Gottverlassen (The Mist) e por ai vai,tem mais albuns de bandas Thrash também como the Gathering do Testament... etc.

Anvito: Led Zeppelin, The Song Remains the Same, Led Zeppelin IV ( Led Zeppelin ), Machine Head, Burn, Storm Bringer e Perfect Stranger ( Deep Purple ), Number of the Beast e Somewhere in Time ( Iron Maiden), Heaven and Hell, Mob Rules ( Black Sabbath ), Among de Living ( Anthrax ), Reign in Blood, South of Heaven, Season in the Abyss ( Slayer ), The New Order, Practice What You Preach, Souls of Black ( Testament ), Bonded by Blood, Tempo of the Damned ( Exodus ), Endeless Pain, Coma of Souls, Enemy of God ( Kreator ) e etc... 
São muitos albuns que acho marcantes e fodões.

F.L. - O Metal teve uma década explosiva que foi os anos 80, principalmente para o Thrash Metal.  Como vocês avaliam o atual momento do Metal no Brasil e fora do país? Estamos no caminho certo ou tem muita mudança pra acontecer aqui no Brasil em comparação a realidade vivida fora do país?
Marcelo Ledd: acho que é um estilo em grande crescimento no mundo todo incluindo o Brasil, claro. Vejo algo parecido com a década de 1980, mas nunca mais terá aquela magia. O caminho que as bandas estão trilhando , acredito que é esse mesmo, os trabalhos feitos aqui não devem mais nada aos gringos,porém os produtores precisam melhorar também,isso será longo e doloroso, acredito que com a ajuda do público nós chegaremos lá.
Anvito: Concordo com o Marcelo e posso acrescentar que aqui no Brasil ainda falta o público valorizar mais as bandas nacionais e irem aos shows. Pagamos muito caro pra ver grandes nomes do Metal e vemos o lugar lotado, quando é um ingresso bem em conta pra assistir uma banda daqui temos na maioria das vezes pouco público.

F.L. - A banda tocou fora do Brasil qual a avaliação daquela tour?
Anvito: A Tour Européia foi sensacional. A maior das dificuldades pra mim foi o frio e o cansaço que era ficar viajando de uma cidade pra outra. Posso destacar que fiquei impressionado com a qualidade de equipamento que tocamos, todos os lugares tinham cachê e vendemos bastante material. O público é bem receptivo, te procura no final do show, querendo trocar idéia. Foi uma experiência sensacional.

F.L. - Na região Sul do Estado do Rio algumas bandas ativas na cena decidiram dar um basta e passaram a organizar seus próprios eventos por discordarem da atitude de alguns produtores. Com isso desenvolveram uma parceria que envolve bandas e o público. Como vocês avaliam iniciativas como essa?
Anvito: Eu acho positivo e espero que isso seja um início pra mudar a mentalidade dos produtores. Não é certo convidar uma banda pra tocar e pedir pra ela vender ingresso ou não pagar nada, às vezes nem água dão. Temos que ter um pensamento mais profissional com relação a isso. As bandas gastam muita grana com equipamento, manutenção, ensaio e etc.. É trabalho também, não é só diversão. As bandas fazendo seus próprios eventos, podem assim divulgar com mais afinco sabendo que se houver retorno financeiro eles vão participar também.
Rossatto: Acho que todas as bandas deveriam fazer isso, juntar forças e produzirem seus próprios eventos. Acho que essa interação entre banda e público é muito importante, pois cria novos laços e desperta o interesse da galera para o que é novo. Isso vai acabar estimulando cada vez mais a realização de shows com bandas "autorais" do underground...

F.L. - Talvez não só no Brasil, mas é comum há muito tempo bandas pagarem pra tocar, ou aquele famoso caso de tocar de graça tendo como argumento da produção que o retorno/pagamento da banda é a oportunidade de divulgar o trabalho e ser conhecido no underground. Qual a opinião de vocês sobre esse nível que chegamos em nosso país da desvalorização dos músicos e bandas (principalmente autorais)?
Marcelo Ledd: Porra, isso começou por causa do PUS quando abriu a tour do Anthrax em 93. Isso é um desrespeito ao profissional, mas infelizmente tem muita banda que já procura os organizadores para oferecer grana antes de qualquer coisa. Com relação à oportunidade de tocar de graça, quando a banda esta começando eu concordo, mas depois de uma carreira e álbuns lançados isso se torna falta de respeito.
Rossatto: Acho que tudo é um sistema de troca. A partir do momento que entenderem isso, tudo vai mudar. É inaceitável pagar para tocar, pois quem esta produzindo, estará ganhando encima do trabalho árduo que a banda faz para poder existir. Sem show não tem banda, sem banda não tem show!

F.L. - Eventos com banda cover lotam, banda autoral público razoável, a culpa é de quem - Dos produtores que visam só o lucro, um problema cultural do público brasileiro que talvez dê mais valor ao cover do que autoral, ou então a culpa é de bandas que não apresentam um trabalho de qualidade que desperte interesse dos headbangers?
Anvito: Em minha opinião, isso é uma mentalidade do público. Infelizmente o público valoriza muito a banda cover e cada vez mais aparece bandas fazendo isso.
Rossatto: Infelizmente isso é um problema "cultural" do underground que ao longo da última década e meia vem se agravando. Por outro lado, o número de bandas "autorais" vem crescendo ao longo desse período. Acredito que, se os produtores desses eventos, tiverem um mínimo de visão que seja, e começarem a chamar as bandas autorais para tocar, essa situação irá mudar. Pois o público precisa se acostumar a querer ouvir o novo, a perceber que o Heavy Metal feito pelo seu "vizinho", e que nasce no underground, também é música. E, só para lembrar, o underground só existe por causa dessas bandas "autorais" e não por causa das bandas cover que geralmente aparecem nos eventos. O "poder" de fazer isso acontecer, infelizmente ou não, esta nas mãos dos produtores.

F.L. - Qual a opinião sobre o atual momento político do país?
Marcelo Ledd: Manifestações nas ruas: Não acredito em política sem ideal político. Achei que tem algo de errado por trás disso, nossos jovens não se politizaram do dia para a noite, muito menos os mais velhos. mas de qualquer forma a Presidenta tomou uma atitude boa e que venha o Plebiscito. Reforma política: Já estava na hora, desde que o Lula assumiu que tem um projeto de reforma rolando pra lá e pra cá. Agora que precisamos da população nas ruas gritando pelo Plebiscito e as reformas já, mas infelizmente poucos estão reclamando seus reais direitos. Espero que minha filha possa desfrutar de um país melhor por causa de tudo o que as pessoas vem fazendo desde a guerrilha na década de 1970 , até esses protestos de hoje em dia.
Rossatto: Acho que enquanto o povo usar a máscara do "V" de vingança, tudo não passará de mera influência cinematográfica e utópica. Enquanto o povo brasileiro não deixar de usar "máscaras", e enfrentar face a face nossos inimigos, tudo não passará de gritos ecoando em uma caverna de "sombras". (Me refiro ao "Mito da Caverna de Platão"). Realmente a política desse país tem que mudar, mas não podemos deixar os atuais políticos fazerem isso, pois será o mesmo que pedir para o ladrão vigiar a sua casa.

F.L. - Toda experiência proporciona aprendizado, quais as lições aprendidas ao longo dessas duas décadas- no mínimo já sabem qual caminho não trilhar entre outras questões?
Anvito: Cara, eu acho que ainda aprendemos muitas coisas até hoje. Adquirimos experiências boas e ruins. Tomamos volta de produtores, RS, Fomos mal tratados, bem tratados e também muito bem tratados. Aprendemos a não acreditar em promessas de estrelato, rsrs. E por ai vai...

F.L. - Esse tempo todo na estrada muita água já rolou e fatos hilários, grotescos e inusitados acabam rolando e rendendo muitas risadas, enfim compartilhem algumas dessas histórias com a gente!
Anvito: Nossa... Já vimos muita coisa nessa estrada, rsrs. Teve um lance curioso na Alemanha, tocamos em um Pub muito maneiro, mas o palco era bem baixo e o público ficava quase colado conosco. Tinha uma maluca bêbada com uma tulipa de cerveja na mão e no meio de uma música ela balançando a cabeça caiu e quebrou essa tulipa, mas não se cortou e ficou com aquele troço quebrado na mão. Fiquei com medo de ela tacar aquela merda em um de nós ai no meio de uma música em uma parte que não tem vocal pedi pro nosso roadie que tirasse aquilo da mão dela, ele conseguiu com um pouco de custo e tudo correu normal. rsrs.

F.L. - Agendas para segundo semestre e planos futuros da banda?
Anvito: Estamos para confirmar alguns shows em SP. Fiquem ligados na agenda no nosso site: www.hicsos.com.br. Agora estamos pensando somente em agendar o maior número de shows possíveis a fim de divulgar bastante nosso novo álbum.

F.L. - Considerações finais e recado para os nossos leitores:
Marcelo Ledd: Obrigado pela entrevista, esperamos ver todos os nossos fãs na estrada, peçam o Hicsos em sua cidade e iremos com prazer e levaremos nossa violência musical!
Anvito: Muito obrigado pela oportunidade de fazer essa entrevista. Queremos ver todos os fãs batendo cabeça nos nossos shows. Stay Heavy !!
Rossatto: Obrigado pela entrevista. Acreditem em seus sonhos! E façam a diferença onde quer que estejam, busquem o melhor, não só para si, mas para todos ao seu redor. E quando tudo estiver mal, coloque um CD do Hicsos para tocar no último volume, que depois de algumas músicas, tudo vai estar melhor. rs Vida Longa e Próspera!


Obrigado Hicsos pela entrevista, O Over Metal está a disposição.

Até a próxima.

Entrevista por Filipe Lima - Over Metal Zine





RESENHA: JUDGEMENT - FALLEN ANGEL - 2013


Nota: 9,5
O JUDGEMENT é uma de Heavy Metal do Sul do Estado do Rio de Janeiro, com influência principal de Iron Maiden. O grupo formado em 2006, que já tinha lançado a Demo "Face the Judgement" (2008) e faz um Heavy Metal objetivo e sem muitas frescuras, mas executado perfeitamente em alto nível, acaba de lançar seu primeiro Álbum Full-Length, intitulado "Fallen Angel" (2013).  São 9 Faixas com excelente Áudio de gravação que apresentam a maturidade sonora atingida pela banda nesses 7 anos de estrada.
A banda apesar da influência da donzela de ferro não se limita a ser uma cópia brasileira dos britânicos, pelo contrário tem sua própria identidade.

Track List:
1 - Song of Sorrow
2 - Fallen Angel
3 - Face The Judgement
4 - Distance
5 - Never Ending Wars
6 - Son Of The Sun
7 - Waiting For Messiah
8 - Believe
9 - Holy Justice

Ficha Técnica:
Gravação, Mixagem e Masterização: Acustica Studios
Artwork: Raphael Gabrio
Photos: Gabriela Xavier
Music and Lyrics: Judgement

Após a intro Song of Sorrow que contém uma narrativa vem a música tema "Fallen Angel" em grande estilo, excelente abertura, riffs e levadas marcantes, alternâncias rítmicas, destaque para o baixo que segura a base em determinado ponto e também a guitarra com um longo e perfeito solo.
"Face the Judgement" que era título da demo de 2008 e é uma das 4 faixas aproveitadas da Demo nesse álbum e mostra a evolução musical da banda e mudanças no arranjo da mesma, apesar de ser tocada um pouco mais lenta, mas sem perder o peso grande característica da música. 
O Solo de "Distance" que é a faixa mais lenta e melódica do CD ficou muito bem encaixado, uma evolução imensa em relação a Demo.  outra faixa lenta com alternâncias e um belo solo é "Believe".
Mudanças simples na execução também acontecessem em "Waiting for Messiah" que acredito ser a faixa em que a maioria dos ouvintes desse trabalho guardarão de prima pelo seu refrão marcante e isso é provado ao vivo, pois já acompanhei uma apresentação da banda e público pediu, vibrou e cantou do início ao fim junto com a banda.
Outras faixas que excelentes e já estão disponíveis para o público são "Never Ending Wars" e "Son of The Sun"
O CD encerra com "Holy Justice" que em sua intro lembra "The Trooper" do Iron.  Uma faixa de encerramento perfeita para um grande álbum de uma banda que tem muito a oferecer por sua qualidade, entrosamento e profissionalismo.
CD no padrão tradicional, bela capa e encarte com todas as letras.
Um CD que vale a pena adquirir e conferir!  Mais um destaque, apesar de toda qualidade e quantidade de faixas o CD está com ótimo preço, eu mesmo adquiri o meu por apenas R$10,00.  Então pegue o seu e comprove o que disse aqui.
Parabéns Judgement pelo lançamento e qualidade empregadas nesse álbum. 
Line-up:
Jorge - Vocal
André Luiz - Guitarra
Walker Oliveira - Baixo
Rodrigo Sarmento - Bateria


RESENHA: DIABOLI IMPERIUM - GENESIS - 2013


Nota: 8,5

Falando em Santa Maria o que vem em mente é a boate Kiss e a tragédia de mais de 230 mortos no incêndio.  Mas fiquei surpreso ao receber uma carta de Rodolfo (Rock Animal) com esse excelente EP da banda Diaboli Imperium (Black Metal - São Paulo).

O EP contém 4 Faixas com ótimo áudio que apresentam a intensidade sonora do Diaboli Imperium em seu Black Sinfônico que usufrui de outros elementos do Heavy Metal.

Track List:
1 - In Fact... Genesis
2 - Oblivion Shall Be On Your Grave
3 - Apocalypse Revelations
4 - A Forsaken Aeon


Já na intro " In Fact... Genesis" é criado a atmosfera sombria que será explorada no CD e logo vem "Oblivion Shall Be On Your Grave" envolvente e  intensa.
Na faixa "A Forsaken Aeon" destaco o trampo da batera com várias alternâncias e que conta com um "sample" no meio da faixa, há quem odeie, mas acho que a banda soube encaixar isso muito bem, sem excessos de forma rápida e específica.
"Apocalypse Revelations" é extremamente envolvente e profunda é como mergulhar em outra atmosfera.  Excelente faixa.

O Logo foi feito por Christophe Szpajdel (conhecido por fazer artes de diversas bandas pelo mundo).  Uma pena a banda não ter colocado mais infos sobre a ficha técnica desse trabalho e pelo menos uma foto da banda que usa "Corpse Paint"!  A qualidade do trabalho gravado nesse EP merecia um encarte com mais infos e detalhes da banda. No meu caso para saber sobre integrantes e outros detalhes da banda tive que pesquisar fora do encarte em outras fontes. Por essa razão a nota não foi melhor, mas qualidade e criatividade a banda tem e muito.
Prazeroso ouvir esse trabalho, intenso, sinfônico, envolvente e marcante.
Parabéns Diaboli Imperium.

Line-up:


Daimonos - Vocal
Asterion - Guitar
Teloch - Guitar
Nazgûl - Bass
Scorpio - Drums

RESENHA: AS DRAMATIC HOMAGE - CROWN - 2012


Nota: 9
Crown é o título do primeiro Full-Length do AS DRAMATIC HOMAGE banda de , que ao longo de sua existência iniciada em 1999 já lançou as demos “A Deep Inner Recital” (2001), “Atmosphere of Pain/Anthems of Hate” (2005) e o single “Ominous Force for Ascension” (2010).

Track List:
1. Lesssons
2. Monumental
3. Awake to the Twilight
4. The Icon Omnipresent
5. Journey Inside
6. Redemption
7. Idyllic
8. From the Battle of Pain
9. The Age of Transition
Ficha Técnica:


Produção: Romulo Pirozzi e Alexandre Pontes
Gravação, Mixagem: Pyro Z Studio
Gravação de Voz: HCS Estúdio
Cover Art and Layout: Guimaraes
Photos: Eduardo Leão
Music and Lyrics: Alexandre Pontes (Exceto faixa 1)

Nesse trabalho é possível encontrar criatividade e qualidade, levando a banda a lançar um som diferenciado, algo quase impossível nos dias atuais.

O álbum tem ótima qualidade de áudio.  A intro que é curta, cria uma atmosfera através de teclados e cordas e em seguida entra Monumental, rápida mas com alternâncias na parte instrumental e vocal.
Faixas como "The Icon Omnipresent", "Journey Inside" e "The Age of Transition" (Instrumental), apresentam boa dose de melodia, uma atmosfera Doom e em alguns momentos até mesmo melancolia, mas sem excessos.
Em faixas como Idyllic há variações que se repetem por praticamente todo o CD que vão do Black Metal, passando pelo Doom até o Progressive Metal.  É difícil definir a banda em um segmento.  A sensação ao tentar rotular a banda em um estilo é de estar limitando e condenando o As Dramatic Homage a ser prisioneiro enquanto seu propósito e voar livremente desde do instrumental a parte lírica na diversidade que há dentro do Metal comtemporâneo sem soarem como se fossem uma banda sem identidade. 
Enfim um belo trabalho resumido em quase 30 minutos bem dispostos, que vale a pena conferir e adquirir pelas variações e alternâncias no ritmo e voz, além de letras que apresentam ideais filosóficos.
Line-up:
Alexandre Pontes – Vocal/Guitarra/Programação
Alexandre Martins – Baixo


RESENHA: CRUOR - UNBURIED - 2010



Nota: 8,5

A banda pernambucana CRUOR teve o EP "Unburied" como seu último trabalho lançado até então.
Este EP gravado e produzido pela própria banda e pelo Engenheiro de Som Luizinho Referência no JC Studio, de propriedade do guitarrista Chimbinha (Banda Calypso), tem uma intro composta e produzida por Túlio Falcão (Ruído Branco Mobile Studio) mais quatro faixas inéditas.

Track list do EP Unburied
01 - Intro
02 - White Chapel
03 - Septem Sermones Ad Mortuos
04 - Not Today
05 - One Man´s Manifesto
Ficha Técnica:
Produção: Luizinho Referência e Cruor
Gravação, Mixagem e Masterização: Luizinho Referência
Estúdio de Gravação: JC Studios
Artework: Jairo Neto

A faixa Whitechapel é um grande destaque do EP que mostra a força e qualidade da banda honrando a cena do nordeste brasileiro. A banda executa um Thrash fortemente influenciado pela velha escola, bem trampado, mas não se limita a ser datado, pois há elementos comtemporâneos na construção das músicas.
Destaco também a faixa de encerramento One Man´s Manifesto que com certeza ao vivo leva muitos bangers ao "Mosh".
A gravação é simples, mas boa e consegue apresentar o que cada músico está executando´perfeitamente nas músicas.

Uma ótima banda pernambucana que esperamos apresentar em breve um novo trabalho, quem sabe um álbum Cheio.

Line up:
Wilfred Gadêlha (vocal), 
Jairo Neto (baixo),
Túlio Falcão (guitarra) e
Bruno “Bacalhau” Montenegro (bateria).

Parabéns Cruor!
Para informações adicionais e contatos para shows, utilize um dos seguintes endereços eletrônicos:

RESENHA: ANGRY - ONLY LIES - 2010


Nota: 9,0
Madrugada fria e aqui estou eu, arrumando um tempo pra dar conta de atualizar o Over Metal juntando todos os CD's, EP's e Demos que recebi para organizar e preparar as resenhas a serem postadas.  Bom nesse horário só no fone pra poder ouvir cada trabalho sem incomodar parentes e vizinhos. Mas ufa! O fone é de ótima qualidade permitindo ouvir perfeitamente cada trabalho, então vamos lá.
Only Lies é um Ep de 2010 da banda Angry, que atualmente se prepara pra um novo lançamento e até já conta com uma nova formação.
Mas recebi este EP da banda e foi só apertar o play e ser conquistado de prima pelo som do Angry.  Thrash Metal sem meio termos, EP com ótima qualidade de gravação, timbre e solos de guitarra perfeitos, bateria bem executada e gravada, não há sobras ou excessos que poluem o resultado final, colocaram em prática o famoso "menos é mais".  Banda coesa e som bem trampado.  Fui conquistado de prima.
Encarte bem bolado apesar de Simples, num encarte de envelope com capa dura bem apresentável
Track List:
1-The Beginning of Chaos
2-Only Lies (dedicates to…)
3-Coldness of the Soul
4-Agony
5-Right

Ficha Técnica:
Produção: Angry e Danilo Pozzani
Gravação, Mixagem e Masterização: Acustica Studios
Artwork: Bruno Abbate
Photos: Xusauro
Music and Lyrics: Diego
Arrangements: Angry

O trio apresenta um excelente Thrash Metal bem calcado na Velha Escola e fortemente influenciado por Slayer (vocal de Tom Araya) e Destruction.
A intro “The Beginning of Chaos” (instrumental), mostra de cara a qualidade da banda e também da gravação deste EP.  Um aperitivo do que vem pela frente.  “Only Lies (dedicates to…)” tem uma abertura marcante e digna da velha escola, batera que funciona como um metrônomo, solo bem adequado e marcante. "Coldness of The Soul" apresenta alternâncias, mas mantém a agressividade da banda.
“Agony” é muito trampada, agressiva, com riffs e batidas marcantes. “Right” encerra o EP com doses de melodia, mas mantendo a porrada que é característica forte nesse trabalho.  Um "gran finale".
Enfim, é Thrash Metal Old School, solos marcantes, riffs pesados, bumbo duplo, alternâncias rítmicas e muita agressividade.
Fica a expectativa por um próximo trabalho, talvez quem sabe um álbum Full-length.  Parabéns Angry por esse excelente trabalho.
Line-up do EP:
Ricardo - Drums
Diego - Bass/Vocals
Alex - Guitar

https://www.facebook.com/angrythrash
https://www.facebook.com/angrythrash.brasilii
http://www.myspace.com/angrythrash

Resenha por Filipe Lima - Over Metal


quarta-feira, 31 de julho de 2013

WARFIRE: DOSES DE HUMOR E HEAVY METAL EM ALTO NÍVEL


Warfire uma banda que tem o metal e doses cavalares de humor circulando pelas correntes sanguíneas, atende o Over Metal Zine mostrando numa conversa direta e resumida a realidade da banda oriunda de Tatuí-SP. 
Confira nessa entrevista um pouco mais da banda através de Andrews Neander, um dos guitarristas do Warfire ...
... eu pelo menos ri muito com as histórias grotescas dessa banda que tem além de muito bom humor qualidade e um bom trabalho.

Confira!

Formação da banda:

Vocal: Loiz Krieg
Guitarra: Andrews Neander
Guitarra: Gamba Manoel
Baixo: Paul Cappotish
Batera: Cerbo

Filipe Lima (F.L.) - Obrigado por atender o Over Metal. Para aqueles que ainda não conhecem o Warfire faça um breve resumo do histórico da banda!
Andrews: O Gamba, Paul e o Cerbo já tocavam juntos em outra banda aqui da cidade, infelizmente, ou felizmente (risos) acabaram acontecendo alguns problemas que levaram ao término da banda deles, o que levou o Gamba a procurar novos integrantes para montar outra banda, ele tinha contato com o Loiz e acabou fazendo o convite para nós dois, pois precisava de outro guitarrista também... No começo achamos que não “rolaria”, mas foi, foi e acabou “fondo” (risos). Escolhemos esse nome porque na verdade foi o único que ninguém odiou, somos meio diferentes então as decisões sempre são bem complicadas... Democracia é uma bosta (risos).

F.L - Qual a avaliação dos três primeiros anos do Warfire?
Andrews: Achamos muito boa, ainda mais quando se leva em conta o atual cenário underground. Temos um nome relativamente forte na atual cena, gente de todas as regiões do país, inclusive de fora, curtindo nosso som, comprando material da banda, vários contatos, já conseguimos tocar em várias cidades do Estado de São Paulo sendo bem recebidos e elogiados em todas, participamos de vários Festivais em que as escolhas das bandas eram feitas por votação, deixando para trás algumas bandas que tocam há 10, 15 anos, e tocando ao lado de outras com esse mesmo tempo de estrada. Creio que talvez não tenhamos chegado mais longe até agora por conta de orgulho e amor próprio também, isso é uma coisa que valorizamos muito na Warfire, se depender de ficar puxando saco e babando ovo de uns caras que acham que só porque tem um blog, ou só porque escrevem uns artigos fuleiros para uma revista, ou só porque está na cena há mais tempo devem ser idolatrados e tratados com reverência vamos morrer no underground, tem uns caras que se acham o rock star e a forma como algumas pessoas agem faz com que eles continuem pensando assim... 
E outro ponto que está se tornando bem claro é o fato de que atualmente no underground brasileiro pode mais quem paga mais, você vê (ou ouve) umas bandas de qualidade bem questionável conquistando coisas em um ano que os grandes nomes da cena levaram dez para conseguir, não estou aqui para levantar a bandeira do proletariado, e nem para defender os fracos e oprimidos, acho que está certo mesmo, quem pode mais chora menos, se você tem grana para gravar um álbum no melhor estúdio, gravar um clip “profissa” e financiar uma tour na Europa tem que fazer mesmo, na verdade é um prova de que o cara gosta e investe no trabalho dele. O que me incomoda é a galera “engolir” isso, usando isso como parâmetro, “se gravou aqui é boa, se já tocou fora é boa, se o blog do fulano falou bem é boa”...


F.L - O som da banda não é datado, mas tem fortes influências e características do Metal oitentista, isso ocorreu de forma natural pela união das características dos integrantes ou foi uma escolha e proposta de trabalho definido pela banda?
Andrews: Foi e é natural cara, é aquela, já não temos muito talento, se ficarmos colocando muitas regras, limites, predefinições a coisa não rola mesmo. A única regra é que a música agradar a todos da banda (ou pelo menos não desagradar ninguém), o som tem que agradar a nós em primeiro lugar, o público gostar é conseqüência, mesmo porque como é que você vai tocar algo que não gosta com convicção? Todas as músicas (não letras) apresentadas até o momento são de autoria minha (Andrews) ou do Gamba
(pelo menos a idéia inicial, depois sempre é feitas algumas mudanças, arranjos e tal), é para nós da banda pelo menos fica bem latente a diferença de estilos entre eu e ele, não sei se é tão claro para o público. Mas mesmo nas que são do mesmo autor você consegue perceber diferente tendência, umas puxam mais para um Thrash, outras mais para um Heavy Tradicional, outras para um Heavy Metal um pouco mais moderno e talz, acho que o importante é que pelo menos em nossa opinião no final tudo soa Warfire.

F.L - Fale do aprendizado e experiência de gravar o EP “Its Time To War” do Warfire no Mr. Som com Marcello Pompeu e Heros Trench - Korzus?
Andrews: Como o Loiz já disse e eu sempre reitero, “os caras tem de carreira o que temos de idade”. Há certas coisas, macetes, “manhas”, que só vem com o tempo. A nossa idéia de gravar lá foi além de termos um material de alta qualidade para entrarmos na cena em grande estilo era fazer da gravação um “teste de fogo”, precisávamos da opinião de quem entende do assunto, de quem “viveu” o assunto. Mas foi pelo menos para mim uma das melhores experiências da minha vida, os caras são super gente boa, e o melhor não ficam passando a mão na cabeça, se está bom está bom, se não está bom fala que está uma merda e manda fazer de novo, aquela pressão de não poder errar, aquele momento do “gravando” e você sabe que está todo mundo prestando atenção em você é bacana, é essa hora que separamos os meninos dos homens (risos). Mas no geral foi ótimo, e receber elogio de uns caras que ajudaram a construir a cena nacional não tem preço...

F.L - Andrews você afirmou recentemente que o EP deu um "feedback positivo e ajudou na evolução da banda".  O que seria essa evolução?
Andrews: O ponto principal foi experiência, o que acaba englobando todas essas coisas que você citou. Música é arte e o seu estado de estado de espírito, sua personalidade acaba de certa forma sendo passada com o som, e nós estávamos muito “verdes” na gravação do EP, sabíamos o resultado que queríamos, mas não sabíamos como alcançá-lo, era a primeira vez de todos nós em um estúdio profissional, e mesmo os caras nos deixando bem a vontade rolava um nervosismo, uma ansiedade... Hoje já temos um pouco mais das “manhas”, já manjamos mais das putaria... (Risos)

F.L - A banda já citou que compõe constantemente e teria material engavetado para a gravação até de dois álbuns. O que está definido em relação a datas para gravação e lançamento do debut álbum?
Andrews:
Estamos meio que em uma pré-produção e a idéia seria iniciar as gravações agora em Outubro, temos que ver com cuidado essas datas porque o Heros e o Pompeu também estão iniciando a gravação do novo álbum do Korzus, então estamos conversando para ver a melhor forma de fazer isso, mas a idéia é iniciar agora em Outubro...

F.L - A parceria com Marcello Pompeu e Heros Trench - no Mr. Som se mantém para a gravação do full-length?
Andrews: Sim, salvo algum acontecimento ou mudança significativa gravaremos no Mr. Som...

F.L - Já existe um título escolhido para o álbum?
Andrews:
Existem vários só falta escolhermos um... (Risos)

Como é esse processo de composição das músicas (responsáveis pela letra, pela parte instrumental e fechamento de uma música)?

Andrews: A parte instrumental é feita por mim ou pelo Gamba, fazemos uma gravação da idéia da música, com guitarra, base, batera e linha vocal e a partir disso vamos “lapidando” essa idéia. As músicas que eu componho na maioria das vezes o Loiz é quem acaba fazendo as letras, algumas vezes ele faz uma letra, ou tem uma idéia de tema e baseado nisso eu faço a música (como no caso da B.T.K.), as do Gamba quase sempre ele faz a música com a letra...
 
F.L - Cogitou-se a possibilidade de distribuição do trabalho do Warfire fora do Brasil (América do Norte e Ásia), como está isso atualmente?
Andrews:
Então, até houve uma boa “distribuição”, mas de forma virtual. Em se tratando de formato físico é complicado, saímos em umas coletâneas na Europa e talz, só que nem sempre essas distribuições são efetivas... Com a internet e a dinamização da informação certas coisas se tornaram complicadas, hoje uma pessoa que acessa a internet é “bombardeada” com informações incessantemente, no âmbito Rock/Heavy Metal há uma enxurrada de bandas novas, de bandas antigas lançando material novo, de membros de bandas antigas com projetos novos e uma porrada de material, isso faz com que você conheça muita coisa, mas absorva muito pouco disso... Por exemplo, se tinha acesso a menos material, mas por outro lado você absorvia muito mais o conteúdo daquele material, você ouvia várias vezes e realmente absorvia aquilo, hoje não dá tempo, você põe um CD de uma banda nova, conhece e já parte para outra, não dá para ficar escutando várias vezes até assimilar a idéia. Antes você tinha acesso apenas a bandas da sua cidade, estado, país e algumas daquelas que conseguiam vencer essas barreiras e ficarem conhecidas mundialmente, então você conseguia se focar mais, hoje você tem acesso ao material recém-lançado de uma banda underground russa, então a quantidade de material é enorme, além do que as redes sociais permitiram a interação do público com gostos similares, você acaba tendo 500, 1000 contatos que sempre te mandam ou acabam te mostrando um som novo de alguma banda, além de grupos, comunidades e a porra toda...

F.L – Em breves palavras o que representa:
> Judas Priest: Eterno tema de indiretas e provocações na Warfire, Eu e o Loiz preferimos o Ripper (sim, achamos ele melhor que o Halford) e o Gamba (e 99% dos fãs de Priest) preferem a “biba”... (Risos)
> Rainbow: Supostamente a banda favorite do Loiz, reúne pelo menos três dos caras que na opinião dele são os melhores em suas funções Dio, Blackmore e Cozy Powell...
> Motorhead: Essa é unanimidade, todos nós gostamos...
> Metal Church: O poder né? Todos curtimos muito, aquele ao vivo lançado em 98 com aquele show de 86 (se não me engano) é simplesmente matador...
> Annihilator: Eu curto pra caralho, acho melhor que 90% dessas bandas bay area que fizeram sucesso, pelo menos mais sucessos que eles. O Loiz e o Paul curtem bastante também...
> Pantera: Minha banda preferida é a que eu mais ouvi na vida e a que sempre que eu ouço de novo me parece melhor do que eu lembrava...
> Mercyful Fate: O amor da vida do Gamba, ou melhor, a amante, o amor da vida dele é o Kiss...

F.L - Numa entrevista Loiz Krieg falou sobre pessoas que são verdadeiros picaretas que se valem do amor do Headbanger pela música pesada, pra se auto promover. Qual sua avaliação sobre organização dos shows de Metal no Brasil. Como músico o que deve ser melhorado na estrutura dos eventos?
Andrews: Primeiro tinha que ter uma estrutura né? (Risos). É complicado, ninguém vai porque a estrutura é ruim, a estrutura é ruim porque ninguém vai e assim vai indo... Os caras dizem que o produtor tem que respeitar e pagar um cachê digno para as bandas, mas não paga R$40,00 para assistir 10 bandas, não estou querendo bancar o advogado do diabo aqui, mas se o cara não for mágico, complica um pouco... As bandas não se ajudam ás vezes até se ajudam, mas ao invés de ajudar uma banda menor, ajuda uma maior na tentativa de conseguir um retribuição futuramente, é foda... O problema não é a cena, o lugar, o estilo, o problema são as pessoas...

F.L - Na região sul do estado do Rio de Janeiro algumas bandas que são ativas na cena underground se uniram para organizar seus próprios shows buscando melhores dias e estrutura para o público e banda.  Qual a opinião sobre ações como essa dentro da cena underground brasileira?
Andrews: É legal pra caramba, se você mora em um lugar onde há um tipo de gente que tenha essa consciência, gente de caráter e determinada dá pra fazer uns lances muito bons, infelizmente não é em todo lugar que esse tipo de coisa funciona...

F.L - Qual a avaliação da banda em relação a o underground brasileiro?
Andrews: Uma merda, pelo menos nossa realidade é essa, não que todos os shows sejam horríveis, mas mesmo os melhores estão muito aquém do que poderia ser considerado o ideal, pelo menos na nossa concepção. O rock/metal sempre foi uma coisa que lutou contra o “sistema” ou pelo menos essa era a idéia, e ultimamente parece que ele está fazendo parte do sistema. Há muita demagogia, “puxa-saquismo” e hipocrisia envolvida, uns caras babacas, safados em posições influentes. A música parece ter ficado em segundo plano, e coisas como contatos, filiação, “sensualidade” contam mais hoje em dia. Melhor parar por aqui porque se não teríamos que começar “dar nome aos bois”, não sou do tipo que fica mandando indireta, mas como diz o ditado: Pra bom entendedor meia palavra basta...

F.L - Breve Opinião sobre:
>TV Brasileira e sua programação:
Andrews: É um lixo né? Eu assisto muito pouco TV, mas está impossível assistir TV aberta, o que não é lixo, é manipulação. Na TV paga ainda há algumas coisas interessantes, documentários, alguns filmes e talz... Mas na TV aberta sem condições...
>Música e cultura brasileira:
Andrews: Bom, primeiro de tudo precisamos ver o que é essa cultura, porque cultura brasileira mesmo em minha opinião é a cultura e música indígena, o resto são adaptações de culturas remanescentes de imigrantes. Mas partindo do pressuposto que a cultura brasileira é a bossa-nova, samba, frevo, baião entre outras características regionais é uma coisa a ser respeitada, devido à grandeza do nosso país possuímos uma variedade enorme de costumes e uma cultura muito rica. Mas agora se encararmos Funk como cultura, como vem sendo feito fica complicado. No Brasil se tem o costume de deturpar tudo, mesmo as coisas absorvidas de outras culturas sempre se dá um jeito de colocar uns peitos e umas bundas de fora, a malandragem brasileira e talz... Pelo tipo de gente que fica famosa você consegue avaliar o povo...
>Manifestações nas ruas do Brasil:
Andrews:
Grande parte das pessoas nem sabem pelo que estão manifestando, outra parte acabam sendo grupos organizados com interesses próprios, outros só vão pela bagunça. Um dia o cara está comprando ingresso para Copa e no outro está dizendo que é contra, o cara não lê nem bula de remédio e do dia para noite quer bancar o politizado, pinta um cartaz “Não a PEC 37” e vai para rua... Há muitos motivos para se manifestar, mas não é algo que deva ser feito de forma leviana...
>Reforma Política:
Andrews:
Em minha opinião o problema do Brasil não é político é cultural, não adianta fazer reforma política se o povo continuar ignorante, fútil e sem-vergonha. Como eu disse anteriormente, nós desenvolvemos essa cultura da malandragem, da vagabundagem, da esperteza, e enquanto bancarmos os malandros todos nós seremos trouxas...

F.L - 3 anos de banda já renderam muitas histórias engraçadas, conte algum fato hilário e talvez grotesco que tenham rolado durante shows e viagens!
Andrews: Ah cara, tudo meio que acaba virando em palhaçada, não tem como ficar sério perto do Paulinho (Paul Cappotish), você já deve ter assistido o vídeo da Cyndi Lauper, se ainda não assistiu assista, o Paulinho é daquele jeito o tempo todo, quando toma umas então (o que acontece com bastante freqüência nos shows) é só risada... 
Mas o mais engraçado mesmo é quando ele fica nervoso, ele é meio ranzinza ás vezes, então quando ele está azedo nós damos muita risada. Uma vez estávamos no ensaio e o Cerbo cismou de chutar uma bolinha que tinha aqui em casa, que era do cachorro brincar, e o Paulinho já estava meio irritado e já tinha falado para ele parar porque ia acabar acertando ele, não deu outra, no próximo chute que o Cerbo deu a bolinha acertou no beiço do rapaz, esse rapaz ficou bravo, achei que ele ia socar o Cerbo, foda é que ele estava bravo falando um monte e eu e o Gamba não conseguíamos parar de rir sabe? Mas rir pra caralho mesmo, de sentar no chão e faltar ar... Outra vez estávamos indo tocar em Piedade e um dos carros deu problema, e o Paulinho é cheio de querer saber, cheio de “deixa que eu resolvo”, abriram o capô e ele foi lá cheio de razão resolver, ele com a cara enfiada debaixo do capô e vai o filho da puta do Cerbo e buzina, pensa no susto que o Paulinho levou, legal é a cara que o Cerbo faz nessas horas, aquela cara de moleque que sabe que aprontou manja? É foda...

F.L - Próximas agendas e compromissos da banda?
Andrews: Com o lance da gravação se aproximando e o processo de pré-produção está um pouco complicado o lance das datas, tínhamos uns shows marcados, mas que acabaram sendo cancelada, aquela tragédia de Santa Maria fodeu vários shows nossos, várias casas fecharam, tiveram que se regularizar e talz... O foco agora é o álbum mesmo, tentar se preparar e executar da melhor maneira possível a gravação...

F.L - Considerações Finais:
Andrews: Queríamos agradecer ao Over Metal Zine e ao Filipe Lima pelo apoio, não só pela entrevista, mas pelo apoio na divulgação e tudo mais, agradecemos pela Warfire e por toda a cena underground que acabam encontrando em projetos como o de vocês canais de divulgações sérios e imparciais. Agradecemos a todos pelo interesse no álbum e pedimos a todos que tenham paciência, porque o processo é lento, e se demoramos é porque queremos disponibilizar algo com a melhor qualidade possível. E pedir para quem ainda não conhece procurar conhecer nosso som e se gostar que nos procurem, adicionem nas redes sociais e mantenham contato.

Contatos para shows:

warfire_oficial@hotmail.com


 Obrigado Andrews e Warfire pela entrevista, até a próxima. Filipe Lima - Over Metal