segunda-feira, 2 de março de 2015

FUNERATUS: BATERISTA GURU FALA DO ATUAL MOMENTO, NOVO VÍDEO E NOVO TRABALHO QUE VIRÁ EM 2015


A banda Funeratus existe desde 1993 executando um excelente Death Metal, a formação da banda é André Nálio – Guitars, Fernando - Bass / Vocals e Guru Reis – Drums com quem conversei pela internet e cedeu esta excelente entrevista. “Guru” falou dos planos e ações do Funeratus para 2015.
Confiram!
 1- Obrigado Guru por atender o Over Metal, uma honra poder entrevistar um integrante da banda.
bom, Funeratus está na ativa desde 1993 o Death Metal brasileiro e muito bem, enfim, já passou da marca de 20 anos, faça uma breve avaliação dessa jornada até aqui?
GURU: Saudações Phill e todos que estiverem lendo essa entrevista, pois é já estamos há muito tempo na estrada e por isso nos sentimos honrados em passar mais de duas décadas executando Death Metal no Brasil. Tivemos muitos altos e baixos, mas o que realmente importa é que a banda nunca deixou de tocar, pois o Metal faz parte das nossas vidas e não conseguimos viver sem isso!
Temos alguns lançamentos e algumas turnês que já foram considerados tanto pelo público quanto pela crítica especializada como sendo um dos melhores do gênero. Isso nos deixa muito satisfeito e honrado em termos todo esse respeito e admiração por onde passamos.
Também ficamos muito motivados para conseguirmos fazer sempre mais, sempre melhor para que possamos deixar nosso nome gravado na cena do Metal brasileiro.

2 – O que é mais fácil fazer atualmente com os avanços tecnológicos no mercado musical que temos e o que hoje é ruim comparado a época que tudo era mais simples, materiais disponíveis somente em cópias físicas e não virtualmente e sem as “REDES SOCIAIS”?
GURU: Acho que hoje em dia a velocidade e a facilidade que as coisas acontecem são infinitamente maiores do que quando começamos. Hoje por exemplo se pode gravar uma demo, uma pré-produção ou até mesmo um álbum completo sem sair de casa, coisa que era impossível de se imaginar a um tempo atrás.
Mas tudo isso fez com que se perdesse um pouco do brilho em adquirir um material novo, um lançamento em que você estava esperando sair, assistir o show de uma banda que você gosta pra ver se ao vivo eles são tão bons quanto no álbum de estúdio, pois hoje tudo isso se encontra na internet, então essa sensação de ver algo novo hoje em dia é muito difícil de sentir.

3 - O Funeratus tem experiência de sobra, pois já realizou muitas turnês pelo Brasil, qual a avaliação que fazem da estrutura dos eventos underground pelo?
GURU: Acredito que os pontos positivos são a interação com o público, poder trocar idéia e energia com a galera antes, durante e depois do show, tomar uma cerveja ou outra com a irmandade do Metal e fazer esse contato que é muito importante para a banda. Com relação à parte técnica do assunto, infelizmente ainda tem alguns produtores que não investem no aluguel de um som de qualidade para as bandas apresentarem seu trabalho, o que acaba comprometendo o show. Mas é complicado falar sobre isso, pois sabemos que a realidade financeira do underground é muito difícil, então procuramos nos garantir e sempre que possível optamos em levar nosso backline completo, para não comprometer a qualidade do show e nosso desempenho no palco.

4 – A última edição do Zombie Ritual nos trouxe de volta o fantasma do MOA, várias bandas principalmente gringas e algumas nacionais cancelaram a participação pelo fato do não cumprimento do combinado. Isso dividiu opiniões, uns criticaram duramente as bandas que cancelaram e outros criticaram a organização do evento. Enfim, qual a opinião de vocês sobre o ocorrido?
GURU: Bom não dá pra saber ao certo o que aconteceu, pois não estivemos envolvidos com o evento. Também ouvimos muitas dessas críticas e todo caos que esse assunto gerou. Minha opinião é que infelizmente a produção do festival acabou realizando um evento com o custo muito alto, e a venda de ingressos acabou não gerando renda necessária para conseguir arcar com todas as despesas e isso gerou todos esses cancelamentos e toda essa polêmica.
Nós já tocamos no festival em 2009 e não tivemos nenhum problema financeiro com o produtor e gostaríamos muito que o Juliano desse a volta por cima e que ele possa manter essa chama do Metal acesa com o Zoombie Ritual.

5 – Acreditam que um dia um festival Open Air (Específico para Musica pesada e Extrema) no Brasil voltado será bem sucedido no País, fale sobre o que acham ser necessário pra que isso seja viável e muito bem sucedido?
GURU: Sabemos que esse estilo de festival é geralmente mais caro, pois envolve uma estrutura bem maior e mais complexa do que a de eventos internos. Portanto para isso se tornar realidade no Brasil seria necessário um apoio financeiro por parte de empresas/empresários ou do próprio governo federal, estadual ou municipal através de leis de incentivo a cultura. Mas como o Heavy Metal em todas suas vertentes ainda sofre certo preconceito por parte dessas pessoas, se torna um pouco complicado ver um evento deste porte rolando e sendo bem sucedido para público e produtor ao mesmo tempo aqui no Brasil.

6 – Até o início dos anos 2000 ainda era comum gravar ensaios, gravar a construção de músicas e demos em fita K7.  Hoje com o desenvolvimento tecnológico é comum várias bandas terem seus primeiros registros gravados num simples Home Studio e produzir seu próprio trabalho de forma totalmente independente.  Com essas mudanças tecnológicas o que mudou ou aperfeiçoou na forma do Funeratus construir e gravar seus novos trabalhos?
GURU: Isso facilitou muito a forma de composição e até a evolução musical da banda. Antes ficávamos gravando em fitas e sempre acontecia de perdermos algumas idéias ou até mesmo músicas inteiras, e depois tínhamos que ficar tentando lembrá-las. Mas com essa tecnologia de poder gravar “rascunhos” de riffs, grooves, letras num computador, notebook ou até mesmo num celular, definitivamente facilita e agiliza nosso processo de composição. Acreditamos que para o músico evoluir, ele precisa se ouvir. Então com a popularização dos home studios conseguimos evoluir muito tecnicamente, pois passamos a nos gravar e a nos ouvir com maior freqüência e isso nos fez perceber partes que precisávamos praticar mais e assim poder fazer uma boa gravação na hora que fosse pra valer, no estúdio profissional mesmo.

7 - O Metal e sua grande explosão dos anos 80’s já passou dos 30 anos e é natural que haja uma renovação em grande quantidade do público, diferente talvez das renovações ocorridas no início dos 90 e 2000, pois essa renovação veio acompanhada com o surgimentos de diversas bandas novas que talvez não enfrentam nem 10% da dificuldade que as bandas da geração do Funeratus enfrentaram, além do retorno de muitas outras clássicas de Thrash e Death com lançamentos bem recebido pelos fãs.
Qual a avaliação desse novo momento que vivemos e essa renovação que está acontecendo nos últimos anos?
GURU: Cara eu acho que é a ordem natural das coisas, muita gente da época que começamos ainda está firme e forte na ativa, indo a shows, comprando material e apoiando as bandas. Mas boa parte da galera se perdeu com o tempo, não está mais na cena e hoje deve se auto-intitular um “ex-metaleiro”. Enfim a cena precisa dessa reciclagem de tempos em tempos, faz parte do jogo. Só os fortes sobrevivem, portanto não vejo essa questão como algo bom ou algo ruim, vejo como algo natural que sempre vai acontecer de tempos em tempos e que é necessário para a manutenção da chama do Metal viva.

8 - A banda lançou uma nova música em vídeo “Asphalt Eaters”.
Fale sobre o processo de gravação dessa nova faixa que vocês já vinham apresentando ao vivo. Assista aqui o vídeo de Asphalt Eaters!
https://www.youtube.com/watch?v=BFet9iwdNqc&feature=youtu.be
GURU: Foi um processo bem simples, pegamos nosso equipamento de ensaio e montamos numa casa de shows em Mococa/SP que cedeu o espaço para fazermos essa gravação durante o dia. Aí gravamos o nosso novo álbum na íntegra tocando ao vivo mesmo, como se fosse um show para sentirmos como está soando esse trabalho. Fizemos no estilo de pré-produção e estamos apresentando o material para alguns contatos. Esse trabalho só foi possível devido à grande ajuda de nossos parceiros de Mococa/SP como o Kand Som, Fábio Laguna e Joca Miquinioty.

9 – Como está a produção do novo álbum, tem previsão para sair do forno e possíveis nomes para esse novo trabalho?
GURU: O álbum está praticamente finalizado, estamos acertando os últimos detalhes e já temos a gravação agendada para os meses de maio e junho deste ano. Sobre o nome ainda não definimos nada, estamos pensando no assunto, pois isso vai depender da arte da capa também. E com relação à previsão de lançamento, muito provavelmente será no segundo semestre de 2015.

10 – O que os fãs da banda podem esperar desse novo álbum?
GURU:Um álbum diferenciado, eu diria. Acredito que este álbum trará a identidade que o Funeratus sempre buscou. Estamos muito empolgados com as músicas, elas estão soando rápidas, pesadas e com partes cadenciadas que estão deixando os sons com uma brutalidade intensa.

11-A banda tem fãs fiéis ao trabalho de longa data, qual a importância e influencia deles na história e trabalho do Funeratus?
Funeratus com fã em Sucre na Bolívia em 2004!
GURU:Cara é foda, a legião do Funeratus é a mais foda que existe! A importância deles é indescritível, dependemos muito do apoio dos fãs e sempre nos surpreendemos com a força e a dedicação que eles têm para com a banda. Procuramos fazer o máximo para atendê-los e nos dedicamos ao extremo para que cada fã do Funeratus que comparece no show, que adquire um material da banda ou que apenas vem conversar conosco, saia com a sensação de que pode confiar em nós e na nossa música, pois queremos é cada vez mais poder criar álbuns e shows melhores para entretê-los.
 
Fã com o braço tatuado
Fã tatuando o braço












Soninha Fã da banda no Wacken
Caminhoneiro c/ camisa do Funeratus














12 - Há várias questões da atualidade que dividem a opinião pública e sempre pergunto aos integrantes de banda sobre a visão que tem relacionados a tais temas.
Em breves palavras fale sobre:
·         Problemas econômicos do país gerando aumento de imposto, juros, recursos como combustíveis e alimentos
GURU: Brasil sempre comandado por corruptos, bandidos, ladrões e a maioria da população vive paralelo a isso vivendo de pão e circo. Lamentável.

·         A nossa velha, idosa e insistente senhora do Brasil: A Corrupção
           GURU: Lamentável, infelizmente nós temos que trabalhar quase 6 meses do ano            para pagar impostos e sustentar estas farras com dinheiro público.

·         Terrorismo no mundo! Ataques na França baseada no desrespeito e ataque a fé alheia, Justifica?
GURU: Questão complicada, mas acredito que a violência é sempre a pior maneira de ser acertar as diferenças.
 
13 – Canais com material da banda dispo para venda?
GURU: No momento centralizamos todo nosso merchandising em nossa página oficial no FACEBOOK.
Lá temos camisetas manga curta, manga comprida, moletons, baby look, bonés e o EP “Vision From Hell’ em formato vinil 7” importado da Suécia. Estamos negociando com nosso antigo selo o relançamento dos álbuns “Storm of Vengeance” e “Echoes in Eternity” em formato digipack para os próximos meses.
Para maiores novidades, pedimos a galera interessada que acompanhe nossa página, pois toda nossa comunicação está sendo feita por lá!
 
14 – Além do Álbum o que a banda traçou para o ano de 2015?
GURU: O foco principal é o álbum mesmo, mas paralelo a isso pretendemos fazer shows ao vivo por enquanto aqui no Brasil, gravar um videoclipe que é um sonho antigo da banda e procurar fazer novas parcerias para conseguirmos mostrar nosso trabalho ao mundo todo.


15 - Próximas agendas?
GURU: Dia 14/03/15 em Pouso Alegre/MG -  Dia 16/05/15 em São Paulo/SP - Dia 11/07/15 em Osasco/SP - Dia 15/08/15 em Guarulhos/SP (Guaru Metal Fest).
Ainda estamos negociando outras datas que em breve serão divulgadas em nossa página oficial do facebook.


16 - Considerações finais?
GURU:Phill Lima quero agradecer pelo espaço e atenção cedida ao Funeratus e parabenizar pelo ótimo trabalho frente ao Over Metal Zine.
Deixar um salve pra legião do abismo do Funeratus e dizer que mais uma vez uma tempestade está vindo e agora vai ser pra devastar com tudo! Preparem-se para o chamado do oceano negro! Força e Honra!

Phill Lima: Agradeço toda a atenção e a ótima entrevista. Desejo ótimas agendas e shows ao Funeratus em 2015, até a próxima!







segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

UNEARTHLY: BANDA INICIA COMPOSIÇÃO DO NOVO ÁLBUM


Electronic Press Kit: http://www.metalmedia.com.br/unearthly/ 


Depois de provar seu poder de fogo mundialmente através de mais uma turnê Brasil/Europa e do lançamento de seu DVD, o UNEARTHLY prepara seu novo trabalho.

Se superar o clássico ‘Age Of Chaos’ de 2009 já foi uma missão complexa, o vindouro disco terá que superar também o mais recente – e também clássico nacional – ‘Flagellum Dei’ que consolidou de vez o nome do quarteto carioca como o maior nome do Black Metal nacional no momento e uma das principais bandas da história deste país.

Para isso o grupo está concentradíssimo nas composições inclusive revendo seus primeiros álbuns para reiterar a essência do UNEARTHLY. O baixista M.Mictian explica melhor:

“Já temos várias canções e letras prontas e o álbum está bem adiantado nesse quesito, acredito que estamos buscando uma sonoridade do ‘Infernum – Prelude To A New Reign’ com mais sofisticação. Eu diria que é uma mistura do ‘Flagellum Dei’ com nosso primeiro álbum.”

Em breve o grupo deve anunciar mais detalhes e prováveis participações especiais do trabalho. Fiquem ligados.

Para quem não tem ainda o DVD ‘Baptizing The East in Blood’, confira uma música retirada do trabalho:

http://www.youtube.com/watch?v=ea3QVDGnl_s

Contato para shows e merchandise: shows@theunearthly.com

Sites Relacionados:
www.theunearthly.com
www.facebook.com/unearthly.official
www.metalmedia.com.br/unearthly

Fonte: Metal Media

domingo, 29 de setembro de 2013

IGUANAS: NA ESTRADA COM O 2º ÁLBUM "RESPOSTAS CERTAS PARA PERGUNTAS ERRADAS"

Confira entrevista realizada com o Iguanas banda de Punk/HC da região do Estado do Rio, a primeira do estilo entrevistada pelo Over Metal.

Confira!



Filipe Lima (F.L.) - Faça um resumo da história do Iguanas até aqui!

Carlos: Eu era editor de um fanzine sobre música alternativa, o Hate Zine, e estava fazendo faculdade de Comunicação, mas o que eu queria mesmo era tocar e compor. Foi quando me falaram do Jean, um cara que tocava baixo e curtia Nirvana e Ramones, achei perfeito já que eu procurava um baixista e seu gosto musical vinha de encontro ao meu, o procurei, fiz a proposta, ele aceitou e chamamos o Lando Valério para baterista, deixei a faculdade e o zine e formamos a banda.
O Nome Iguanas, na época eu estava lendo o livro “Mate me, por favor,” e as melhores partes eram sobre o Iggy Pop, também chamado de o Iguana, então decidi por Iguanas, achando que estava sendo genial, anos mais tarde fui descobrir que o Iggy Pop quando adolescente tocava bateria numa banda chamada Iguanas, e que havia dezenas de bandas com o mesmo nome pelo mundo afora, mas já era tarde pra mudar, rs.
Com a banda formada combinamos de não tocar cover e já começar compondo nossas músicas e então com 3 meses tínhamos 7 músicas prontas, fizemos o primeiro show e já no segundo as pessoas queriam o CD no final do show, então gravamos o “Música Tosca Para Quem Tem Pressa”, era tudo muito sem pretensão, mas o retorno foi tão legal, que logo gravamos um segundo CD demo: “Avalanche”, nesta época o Freakshow, festival do qual sou um dos produtores, havia estourado e consumia todo meu tempo, tivemos que adiar o lançamento do 1º CD oficial para 2005, quando saiu o “Aditivo”. Depois da turnê do Aditivo o Lando deixou a banda, entrou o Rafael Fralda, saiu, entrou o André Leal, que ficou apenas 1 ano na banda, em 2012, lançamos nosso segundo CD “Respostas Certas Para Perguntas Erradas”, em 2013, o Rafael Fralda voltou pra banda.

F.L. - Bandas que são e foram influências ao longo do tempo?
Carlos: É uma mistura de bandas punk e rock alternativo: Nirvana, Ramones, Sex Pistols, Husker Du, Sonic Youth, Pixies, Stooges, The Clash.

F.L. - Processo de gravação do "Respostas Certas Para Perguntas Erradas", fale do processo!
Carlos: Gravamos no EME estúdio, temos uma maneira muito peculiar de gravar e sempre gravamos muito rápido, mas o processo de mixagem foi mais detalhado e lento, e ficou a cargo do Diogo Macedo e Lucas Macedo, que são excelentes e perfeccionistas ao extremo, acho que ficou ótimo! Em 2012, quando o CD já estava pronto, gravamos mais 2 músicas, “Respostas Certas” e “Não Fique Inerte”, no Jukebox estúdio, com o André Leal, que na época era nosso baterista.
F.L. - Rafael Fralda substituiu Lando Valério, saiu e retornou recentemente? O que isso altera na estrutura musical da banda?
Carlos: O Fralda é uma referência na cena alternativa de Resende, seja tocando em diversas bandas, ou organizando eventos, eu o admiro. Ele acrescentou um lance mais cadenciado às músicas, uma bateria mais trabalhada e contida nos acalmou um pouco, se continuássemos no ritmo punk do primeiro álbum, nenhum baterista ficaria com a gente, rs

F.L. - Qual a avaliação da banda quanto à evolução obtida em relação ao álbum "Aditivo" para o "Respostas Certas...?
Carlos: Gosto muito dos 2 álbuns, acho que tivemos uma mudança natural, até porque trocamos de baterista e isso num trio influência muito, evoluímos na maneira de gravar, também houve uma evolução na arte do CD, que acho que finalmente nos representou de uma maneira muito legal.

F.L. - Ao que vocês atribuem esse espaço de 7 anos entre o 1º CD Full "Aditivo" e o 2º "Respostas certas..."?
Carlos: Não dá pra acreditar que passou tanto tempo, ainda mais pra quem começou lançando Demo-CD com 3 meses de existência, mas depois do lançamento do Aditivo, ficamos 2 anos tocando e divulgando em diversos estados do Brasil, então o Lando saiu, depois de um tempo entrou o Fralda, então fomos logo compondo, e não demorou muito para termos um material para um CD completo, porém, nessa mesma época fomos contemplados com a lei de incentivo a cultura, era a grande chance de gravar um CD com maior qualidade, e abraçamos a idéia, mas aí surgiu à demora, o processo levou 4 anos para finalmente ficar concluído e liberar a gravação do CD, somando aos 2 anos de divulgação do primeiro CD, mas um ano de problemas pessoais e produção do CD, foram 7 longos anos, mas valeu à pena!

F.L. - A divulgação desse novo trabalho está sendo de forma independente ou existem parceiros?
Carlos: Sempre divulgamos de forma totalmente independente, no primeiro CD tivemos grandes oportunidades de grandes parcerias, mas éramos muito radicais na época, e hoje já não se divulga tanto assim CD, as coisas acontecem muito pela internet, por mp3. , o que é uma pena e inviabiliza muitas parcerias.

F.L. - As letras da banda levantam alguns questionamentos e reflexões.  O que inspira a banda ao escrever uma letra e qual o objetivo do Iguanas com suas letras ao alcançar o público?
Carlos: No início da banda a intenção era ser o mais diferente possível, não ser óbvio, por isso eu escrevia sobre OVNIs, garotas que vivem de forma alternativa. No segundo CD ficamos mais diretos, tem coisas mais pessoais, mas mesmo assim são escritas de uma forma não muito convencional, como “Rubor”, e ainda temos temas diferentes como “Serotonina”. Não gostamos de nada muito lugar comum, no início da banda a gente cantava gritando pra diferenciar das bandas melódicas.
Tentamos atingir o público de uma maneira sutil, mas que o faça pensar, refletir e melhorar, ter boa autoestima, atitude... Acho que a capa do “Respostas Certas Para Pergunta Erradas” mostra um pouco disso.

F.L. - Quais são os grandes desafios para o Iguanas manter-se ativo produzindo, gravando e pegando estrada fazendo shows?
Carlos: Sem dúvida o maior desafio é conciliar o tempo de todos os integrantes, todos trabalham, estudam, namoram, organizam eventos, tocam em outras bandas. Mas a gente sempre consegue um jeito de ensaiar e tocar.

F.L. - Em mais de 10 anos de banda quais são as lições aprendidas?
Carlos: São tantas, acho que nem dá pra listar, mas talvez a mais importante tenha sido descobrir que não dá pra ser muito inocente, nem apenas idealista, é preciso saber conciliar o seu sonho com o mundo real, senão você não sobrevive.

F.L. - Pra descontrair, Compartilhe algumas histórias inusitadas, cômicas vividas ao longo desse tempo pegando a estrada?
Carlos: Tem tantas, mas a gente nunca lembra as nossas mancadas, lembro mais as do Lando, que eram muito engraçadas, ele sempre foi o que mais bebia na banda. Quando fomos tocar em Goiânia, viajamos de carro cerca de 1.200 km, e durante todo o percurso ele foi bebendo, principalmente bebidas exóticas e de cor azul, rs. Depois do nosso show, ficamos na banca de CD, vendendo e fazendo contatos, o produtor Miranda estava lá visitando as bancas, então ficamos esperando, ele foi produtor dos Raimundos, e seria interessante conversar com ele e até trabalhar juntos, se ele quisesse. Aconteceu um imprevisto e tivemos que sair da banca por alguns minutos, o Lando ficou sozinho lá, então lembrei do Miranda e voltei para a banca, perguntei o Lando como estava se tinha vendido muito, se apareceu alguém pra conversar e tal, ele com muita calma respondeu que não havia acontecido nada demais, apenas um cara estranho tinha ficado muito tempo na banca olhando o CD, e nos apontou o cara estranho: era o Miranda.
Quando fomos tocar no Garage no Rio, terminou o show e saímos do palco, como sempre o baterista se ferra e fica lá desmontando a batera, voltei ao palco e perguntei o Lando se ele precisava de ajuda, ele estava com cara de bravo e disse que teve que dar um esporro num cara que ficava enchendo o saco, tentando falar com ele enquanto ele desmontava a bateria, novamente ele mostrou o cara e era o apresentador de um programa musical da TVE.
O Lando era tão legal e tranqüilo que nada que ele fizesse deixava a gente chateado, a gente achava tudo engraçado.

F.L. - Você em parceria do Xan organizaram o Festival "Freakshow" qual o aprendizado obtido ao organizar eventos voltados para o Rock numa cena tão carente de shows com boa estrutura e organização?
Carlos: A parceria com o Xan é perfeita, temos um gosto musical e cultural em comum, nós dois éramos editores de zines, assistíamos aos mesmos shows, e organizávamos shows alternativos, então decidimos fazer o Freakshow juntos para dividir os trabalhos e dificuldades, e para ter um evento com estrutura decente, eu particularmente me preocupava muito com isso, já que tocava também.
O aprendizado é que você precisa fazer alguma coisa organizada, ter atitude, ter ética, acreditar naquilo que você faz, quando isso acontece o reconhecimento vem. E também é preciso ser divertido claro, e o Freakshow era tudo isso.

F.L. - Qual a sua opinião da estrutura dos shows independentes que acontecem em nosso underground?
Carlos: Infelizmente em muitos casos a estrutura continua deixando muito a desejar, falta organização de horários, falta equipamento, falta às vezes até um simples retorno pra voz, muitas vezes por inocência do organizador. O público novo também não é mais tão bem informado e conscientizado como antes quando havia muito mais fanzines impressos e ajudava muito na conscientização do público. Mas isso é minha visão como produtor, como banda não posso reclamar, temos um público muito consciente e bacana que sempre nos dá suporte. E também é bom lembrar que mesmo os eventos sem muita estrutura são importantes para unir público e banda, e que faz tem uma grande e importante atitude de dar espaço para coisas novas e que estão no underground, e temos que reconhecer que sem apoio é impossível fazer um evento bem estruturado.


F.L. - Fale resumidamente sobre Manifestações ocorridas desde Junho por todo o país e Reforma política no Brasil:
Carlos: Eu fico muito contente com todas essas manifestações, sempre quis isso, não sei por que demorou tanto pra acontecer e espero que não pare até termos grandes mudanças.
Reforma política é mais que necessária, o país tem muitos recursos, só não tem uma política descente, acho que as manifestações são o grande passo para acelerar a reforma.

F.L. - Quem quiser adquirir o material do Iguanas quais são os meios?
Carlos: Pode fazer download pelo www.soundcloud.com/iguanasoficial, pode assistir todos os vídeos no youtube no canal www.youtube.com/iguanas2000 ou comprar o CD pelo e-mail iguanastour@gmail.com, também pode adicionar no facebook http://www.facebook.com/iguanas.banda

F.L. - Considerações finais e recado para o público
Carlos: Obrigado pelo espaço e parabéns pelo zine! Espaços como este são muito importantes para a divulgação da banda e para o público ter informações



quinta-feira, 29 de agosto de 2013

HICSOS: THRASH METAL COM AGRESSIVIDADE, FORÇA E EXPERIÊNCIA




































O Over Metal teve a oportunidade de entrevistar a banda Hicsos numa conversa on line com Marcelo Ledd, Avito e Rossato.
Confira mais uma ótima entrevista com uma importante banda do Metal Nacional.

Hicsos é:
Marco Anvito ( Bass & Vocal ),
Antônio Sabba ( Guitar ),
Celso Rossatto ( Guitar ),
Marcelo Ledd ( Drums )

Filipe Lima (F.L.) - Obrigado por atender ao Over Metal.
Bom, duas décadas na estrada, o que foi extremamente difícil superar e o que foi/é extremamente prazeroso para o Hicsos?
Marcelo Ledd: Sempre tem coisas bem difíceis durante tanto tempo na estrada, como o lado financeiro, por exemplo, mas também o respeito dos produtores que acham que sua banda tem que ir tocar por amor e eles ganharem dinheiro com isso. Mas o que é extremamente prazeroso é subir em um palco e travar contato com os fãs, poder tocar em vários lugares, poder gravar nossa musica, isso é muito prazeroso pra mim.
Anvito: Difícil é fazer Heavy Metal no Brasil. Você tem que trabalhar dividir seu tempo com a banda e lutar por um sonho. Prazer sempre é levar nosso som pra todos os lugares, ouvir elogios e reconhecimento do público, estar em cima do palco e principalmente estar com os amigos de tantos anos no Hicsos fazendo muito barulho.
 
F.L. - A mistura Thrash/Hardcore mostra que flui muito do que vocês escutam e curtem. Quais são as grandes bandas/álbuns que foram e são referências e influência no trampo do Hicsos ao longo dessas duas décadas?
Marcelo Ledd: Na minha parte o que me influência esta dentro desse contexto do metal e hardcore, como Anthrax, Agnostic Front, Ratos de Porão, Venom, mas também tem Led Zeppelin, The Who, Black Sabbath, Rock Progressivo da década de 1970 e outras coisas brasileiras que nem tem nada a ver com rock. Álbuns como Among the Living e Brasil freqüentam meu toca disco até hoje com constancia.
Anvito: Minhas influências são: Iron Maiden, Slayer, Anthrax, Exodus, Testament e também curto as coisas mais tradicionais como: Led Zeppelin, Deep Purple, Black Sabbath e etc... Acho que no Hicsos procuramos sempre lapidar as músicas dentro do estúdio com todos juntos. Um traz o esqueleto e depois cada um coloca sua idéia, assim temos esse resultado que me agrada muito.

F.L. - Hicsos faz parte de um grupo pequeno de bandas com origem no Rio de Janeiro que tem mais de 20 anos de atividade na cena underground, ao que se deve isso?
Marcelo Ledd: Acho que as oportunidades não surgiram como se esperava na década de 90 e ficou esse hiato na cena carioca, a maioria das bandas que começaram junto com o Hicsos acabou no meio da década de 1990 e alguns voltaram recentemente nos anos 2000, mas o Hicso sempre acreditou na própria musica e mesmo trocando de integrantes diversas vezes se manteve na estrada aproveitando todas as oportunidades que surgiam o tesão de fazer esse som vai nos levar tocando até estarmos mortos.
Anvito: Acho que nós gostamos demais do que fazemos e conseguimos de uma maneira ou outra separar os problemas externos da vontade de fazer Metal. A amizade dos integrantes também conta muito. E acima de tudo temos muito tesão em fazer isso tudo. Acredito que só vamos parar quando o corpo não nos deixar mais fazer.

F.L. - Como surgiu e se concretizou o contrato com a Laser Company?
Marcelo Ledd: Mandamos nosso material pra eles há algum tempo, eles já conheciam a banda através do álbum anterior e depois de algumas conversas, fechamos o contrato.
Rossatto: Cheguei ao final das conversações com a "Laser Company", mas deu para vivenciar toda a seriedade e profissionalismo que é fazer parte de algo "maior". Eu já tive a oportunidade de vivenciar essas coisas quando trabalhei com o baterista Garry King, (Joe Lyn Turner e Achillea), e comparando tudo o que presenciei, vejo que a "Laser Company" viu e sentiu essa seriedade e profissionalismo na música do Hicsos e nos integrantes, principalmente na sua vontade de querer fazer as coisas acontecerem. Como diz o ditado: "Sorte é estar preparado quando a oportunidade chegar." (B. Disraeli)


F.L. - Fale do processo de gravação do novo álbum ”Circle Of Violence“!
Marcelo Ledd: Nós utilizamos o HCS Estúdio no Rio de Janeiro para gravar toda a parte instrumental, batera guitarras, baixo, etc. Depois fomos para São Paulo e concluímos o trabalho com a produção do Marcelo Pompeu e do Heros Trench no Mr. Som Studio.

F.L. - Para a realização do Circle of Violence como se desenrolou o processo de composição das músicas?
Marcelo Ledd: Ainda com o Nilmon nós compusemos todo o álbum e as letras são muito divididas, cada um escreve sobre seus temas preferidos, isso dá uma diversidade lírica à banda. Eu gosto muito de escrever sobre política e coisas do cotidiano urbano.
Anvito: Foi muito intenso esse processo de composição, o Nilmon gravava algumas coisas em casa e mandava por e-mail, daí ouvíamos e tentávamos fazer algo cada um na sua casa. Quando chegava ao estúdio começava a lapidação por todos. Teve 2 músicas bem curiosas que foram Destruction e Burn in Hell. Essas o Nilmon mandou pra mim o esqueleto delas e na hora eu curti demais o jeito que estavam, sentei na frente do computador escutando a musica e fiz as letras das duas, gravei um teste com voz e mandei de volta pra todos. Todos gostaram e elas tiveram pequenas mudanças na forma original. As outras músicas foram composições que eu, Antônio e Marcelo já tínhamos em mente e colocamos para todos darem suas opiniões. Foi muito prazeroso todo processo de gravação.

F.L. - O Metal sempre nos presenteou com grandes mestres, mas alguns já estão velhos, outros enfrentando problemas com saúde e infelizmente alguns nos deixando como Jeff Hanneman. Quais são os grandes ícones e mestres respeitados por vocês? Explique o por quê?
Marcelo Ledd: Isso é muito estranho, não só na musica, mas na vida, porque quanto mais velho você vai ficando parece que as pessoas vão morrendo ao seu redor. Isso também acontece com os ídolos da musica, por exemplo o Lemmy, porra o cara esta velho e doente, acredito que nem vai demorar muito para ele enfrentar a morte infelizmente. Teve o Dio, que foi uma perda sinistra. O próprio Hanneman. Quando éramos jovens isso nem passava pela nossa cabeça que pudesse acontecer. Porém estamos falando de musica e esses caras mesmo depois de mortos continuarão vivos pelo trabalho que ficar eu respeito muito os meus ídolos como Jimmy Page que faz muita coisa fora da musica, o próprio Lemmy que viveu sua carreira de forma honesta e simples. Mas é triste saber que daqui a pouco bandas como Judas, Iron, Saxon, Motorhead, Slayer, Anthrax, entre outras vão parar as atividades. Veja os caras do Blues, que foi onde tudo começou, praticamente não tem mais nenhum desbravador do estilo vivo, e os pais do rock também já estão no final, como o Chuck Berry que já não tem mais o mesmo pique no shows, o legal disso é que a idade do público esta aumentando junto com a idade dos músicos, quando eu era bem jovem ,meu avô nunca ouviria um som, mas hoje já tem gente na faixa dos 70 anos que curte som desde novo, isso é foda.
Anvito: Infelizmente isso faz parte da vida, nascemos, crescemos, envelhecemos e morremos. Sentimos muito quando é uma pessoa querida ou um ídolo. Fiquei triste demais com a morte do Dio, era um dos melhores vocalistas do mundo em minha opinião. Sou um dos poucos que gosta mais do Black Sabbath com Dio do que com Ozzy, mas gosto e respeito demais o Ozzy. Há pouco tempo perdemos o Jeff Hanneman, isso foi pra mim uma perda muito triste também, afinal Slayer é uma das minhas bandas favoritas e marcaram muito minha adolescência. O Iron Maiden, por exemplo, a galera está velhinha, mas cheio de disposição no palco, admiro isso, fazem um show energético até hoje.

F.L. - Citem álbuns considerados marcantes na história do metal
Marcelo Ledd: Pra mim, Among the Living (Anthrax), todos os discos do Led Zeppelin, Persistence of Time (Anthrax), Brasil e Cada dia Mais Sujo e Agressivo (RDP), Mass Illusion e Ties of Blood (Korzus), Arise e Chaos AD (Sepultura), The Number of the Beast (Iron), Angel Wicth (Angel wicth),Gottverlassen (The Mist) e por ai vai,tem mais albuns de bandas Thrash também como the Gathering do Testament... etc.

Anvito: Led Zeppelin, The Song Remains the Same, Led Zeppelin IV ( Led Zeppelin ), Machine Head, Burn, Storm Bringer e Perfect Stranger ( Deep Purple ), Number of the Beast e Somewhere in Time ( Iron Maiden), Heaven and Hell, Mob Rules ( Black Sabbath ), Among de Living ( Anthrax ), Reign in Blood, South of Heaven, Season in the Abyss ( Slayer ), The New Order, Practice What You Preach, Souls of Black ( Testament ), Bonded by Blood, Tempo of the Damned ( Exodus ), Endeless Pain, Coma of Souls, Enemy of God ( Kreator ) e etc... 
São muitos albuns que acho marcantes e fodões.

F.L. - O Metal teve uma década explosiva que foi os anos 80, principalmente para o Thrash Metal.  Como vocês avaliam o atual momento do Metal no Brasil e fora do país? Estamos no caminho certo ou tem muita mudança pra acontecer aqui no Brasil em comparação a realidade vivida fora do país?
Marcelo Ledd: acho que é um estilo em grande crescimento no mundo todo incluindo o Brasil, claro. Vejo algo parecido com a década de 1980, mas nunca mais terá aquela magia. O caminho que as bandas estão trilhando , acredito que é esse mesmo, os trabalhos feitos aqui não devem mais nada aos gringos,porém os produtores precisam melhorar também,isso será longo e doloroso, acredito que com a ajuda do público nós chegaremos lá.
Anvito: Concordo com o Marcelo e posso acrescentar que aqui no Brasil ainda falta o público valorizar mais as bandas nacionais e irem aos shows. Pagamos muito caro pra ver grandes nomes do Metal e vemos o lugar lotado, quando é um ingresso bem em conta pra assistir uma banda daqui temos na maioria das vezes pouco público.

F.L. - A banda tocou fora do Brasil qual a avaliação daquela tour?
Anvito: A Tour Européia foi sensacional. A maior das dificuldades pra mim foi o frio e o cansaço que era ficar viajando de uma cidade pra outra. Posso destacar que fiquei impressionado com a qualidade de equipamento que tocamos, todos os lugares tinham cachê e vendemos bastante material. O público é bem receptivo, te procura no final do show, querendo trocar idéia. Foi uma experiência sensacional.

F.L. - Na região Sul do Estado do Rio algumas bandas ativas na cena decidiram dar um basta e passaram a organizar seus próprios eventos por discordarem da atitude de alguns produtores. Com isso desenvolveram uma parceria que envolve bandas e o público. Como vocês avaliam iniciativas como essa?
Anvito: Eu acho positivo e espero que isso seja um início pra mudar a mentalidade dos produtores. Não é certo convidar uma banda pra tocar e pedir pra ela vender ingresso ou não pagar nada, às vezes nem água dão. Temos que ter um pensamento mais profissional com relação a isso. As bandas gastam muita grana com equipamento, manutenção, ensaio e etc.. É trabalho também, não é só diversão. As bandas fazendo seus próprios eventos, podem assim divulgar com mais afinco sabendo que se houver retorno financeiro eles vão participar também.
Rossatto: Acho que todas as bandas deveriam fazer isso, juntar forças e produzirem seus próprios eventos. Acho que essa interação entre banda e público é muito importante, pois cria novos laços e desperta o interesse da galera para o que é novo. Isso vai acabar estimulando cada vez mais a realização de shows com bandas "autorais" do underground...

F.L. - Talvez não só no Brasil, mas é comum há muito tempo bandas pagarem pra tocar, ou aquele famoso caso de tocar de graça tendo como argumento da produção que o retorno/pagamento da banda é a oportunidade de divulgar o trabalho e ser conhecido no underground. Qual a opinião de vocês sobre esse nível que chegamos em nosso país da desvalorização dos músicos e bandas (principalmente autorais)?
Marcelo Ledd: Porra, isso começou por causa do PUS quando abriu a tour do Anthrax em 93. Isso é um desrespeito ao profissional, mas infelizmente tem muita banda que já procura os organizadores para oferecer grana antes de qualquer coisa. Com relação à oportunidade de tocar de graça, quando a banda esta começando eu concordo, mas depois de uma carreira e álbuns lançados isso se torna falta de respeito.
Rossatto: Acho que tudo é um sistema de troca. A partir do momento que entenderem isso, tudo vai mudar. É inaceitável pagar para tocar, pois quem esta produzindo, estará ganhando encima do trabalho árduo que a banda faz para poder existir. Sem show não tem banda, sem banda não tem show!

F.L. - Eventos com banda cover lotam, banda autoral público razoável, a culpa é de quem - Dos produtores que visam só o lucro, um problema cultural do público brasileiro que talvez dê mais valor ao cover do que autoral, ou então a culpa é de bandas que não apresentam um trabalho de qualidade que desperte interesse dos headbangers?
Anvito: Em minha opinião, isso é uma mentalidade do público. Infelizmente o público valoriza muito a banda cover e cada vez mais aparece bandas fazendo isso.
Rossatto: Infelizmente isso é um problema "cultural" do underground que ao longo da última década e meia vem se agravando. Por outro lado, o número de bandas "autorais" vem crescendo ao longo desse período. Acredito que, se os produtores desses eventos, tiverem um mínimo de visão que seja, e começarem a chamar as bandas autorais para tocar, essa situação irá mudar. Pois o público precisa se acostumar a querer ouvir o novo, a perceber que o Heavy Metal feito pelo seu "vizinho", e que nasce no underground, também é música. E, só para lembrar, o underground só existe por causa dessas bandas "autorais" e não por causa das bandas cover que geralmente aparecem nos eventos. O "poder" de fazer isso acontecer, infelizmente ou não, esta nas mãos dos produtores.

F.L. - Qual a opinião sobre o atual momento político do país?
Marcelo Ledd: Manifestações nas ruas: Não acredito em política sem ideal político. Achei que tem algo de errado por trás disso, nossos jovens não se politizaram do dia para a noite, muito menos os mais velhos. mas de qualquer forma a Presidenta tomou uma atitude boa e que venha o Plebiscito. Reforma política: Já estava na hora, desde que o Lula assumiu que tem um projeto de reforma rolando pra lá e pra cá. Agora que precisamos da população nas ruas gritando pelo Plebiscito e as reformas já, mas infelizmente poucos estão reclamando seus reais direitos. Espero que minha filha possa desfrutar de um país melhor por causa de tudo o que as pessoas vem fazendo desde a guerrilha na década de 1970 , até esses protestos de hoje em dia.
Rossatto: Acho que enquanto o povo usar a máscara do "V" de vingança, tudo não passará de mera influência cinematográfica e utópica. Enquanto o povo brasileiro não deixar de usar "máscaras", e enfrentar face a face nossos inimigos, tudo não passará de gritos ecoando em uma caverna de "sombras". (Me refiro ao "Mito da Caverna de Platão"). Realmente a política desse país tem que mudar, mas não podemos deixar os atuais políticos fazerem isso, pois será o mesmo que pedir para o ladrão vigiar a sua casa.

F.L. - Toda experiência proporciona aprendizado, quais as lições aprendidas ao longo dessas duas décadas- no mínimo já sabem qual caminho não trilhar entre outras questões?
Anvito: Cara, eu acho que ainda aprendemos muitas coisas até hoje. Adquirimos experiências boas e ruins. Tomamos volta de produtores, RS, Fomos mal tratados, bem tratados e também muito bem tratados. Aprendemos a não acreditar em promessas de estrelato, rsrs. E por ai vai...

F.L. - Esse tempo todo na estrada muita água já rolou e fatos hilários, grotescos e inusitados acabam rolando e rendendo muitas risadas, enfim compartilhem algumas dessas histórias com a gente!
Anvito: Nossa... Já vimos muita coisa nessa estrada, rsrs. Teve um lance curioso na Alemanha, tocamos em um Pub muito maneiro, mas o palco era bem baixo e o público ficava quase colado conosco. Tinha uma maluca bêbada com uma tulipa de cerveja na mão e no meio de uma música ela balançando a cabeça caiu e quebrou essa tulipa, mas não se cortou e ficou com aquele troço quebrado na mão. Fiquei com medo de ela tacar aquela merda em um de nós ai no meio de uma música em uma parte que não tem vocal pedi pro nosso roadie que tirasse aquilo da mão dela, ele conseguiu com um pouco de custo e tudo correu normal. rsrs.

F.L. - Agendas para segundo semestre e planos futuros da banda?
Anvito: Estamos para confirmar alguns shows em SP. Fiquem ligados na agenda no nosso site: www.hicsos.com.br. Agora estamos pensando somente em agendar o maior número de shows possíveis a fim de divulgar bastante nosso novo álbum.

F.L. - Considerações finais e recado para os nossos leitores:
Marcelo Ledd: Obrigado pela entrevista, esperamos ver todos os nossos fãs na estrada, peçam o Hicsos em sua cidade e iremos com prazer e levaremos nossa violência musical!
Anvito: Muito obrigado pela oportunidade de fazer essa entrevista. Queremos ver todos os fãs batendo cabeça nos nossos shows. Stay Heavy !!
Rossatto: Obrigado pela entrevista. Acreditem em seus sonhos! E façam a diferença onde quer que estejam, busquem o melhor, não só para si, mas para todos ao seu redor. E quando tudo estiver mal, coloque um CD do Hicsos para tocar no último volume, que depois de algumas músicas, tudo vai estar melhor. rs Vida Longa e Próspera!


Obrigado Hicsos pela entrevista, O Over Metal está a disposição.

Até a próxima.

Entrevista por Filipe Lima - Over Metal Zine